Entre béqueres e tubos de ensaio
Para quem não sabe, eu, Gustavo, sou aluno do curso de Química (não, não é Engenharia Química. É Química mesmo, ciência “dura”, como é chamado no meio acadêmico) e, por causa disto, conheço mais de perto o preconceito que a população em geral tem com cursos mais incomuns e voltados a uma parcela do conhecimento que não é acessível para todos.
Sempre que alguém descobre que faço Química, ouço frases padrões como “nossa, que nerd você”, “você só pode ser louco, pra fazer um curso desses” ou, na melhor das hipóteses, ouço um “você deve ser muito inteligente, pra estudar química. Eu nunca consegui entender química”.
O grande problema é que as pessoas comuns não têm acesso ao conhecimento e não conseguem entender o quanto a Química está intimamente presente na vida de todos. Mesmo aquela alface orgânica, alardeada aos quatro ventos que é mais saudável por “não ter química”, é feita de química, desde a clorofila que dá a cor verde até as vitaminas e sais minerais que todas as mães dizem, com razão, serem muito importantes. O fato é que vivemos em um mundo químico, em que tudo é formado por átomos e moléculas, apesar de ninguém se dar conta disto. Todo grande avanço da humanidade tem o seu lado químico. Você não estaria sentado na frente de um computador se não existisse, por exemplo, plásticos. E isto se deve a algum químico genial.
Mas fugi do assunto que eu queria tratar. Volto a ele: a questão central deste post é que os assuntos tradicionalmente ligados a nerds não são valorizados pela população em geral. E o caso mais sensível para mim é o da Ciência. O povo tem a visão de cientista como uma pessoa louca, com cabelo desgrenhado, que passa dias sem sair de um laboratório. E isto não é uma visão verdadeira. Nós, cientistas, somos pessoas normais: às vezes até, imagine!, saímos do laboratório mais cedo para tomar algumas cervejas no bar.
O trabalho de um cientista é cercado de muito mistério e fantasia, devido a uma certa ignorância e um exagero quando retratado em filmes ou na televisão. Não existe nenhum aparelho quase mágico que diz o que tem em uma amostra em um piscar de olhos. Muito menos trabalho entre béqueres, erlenmeyers e tubos de ensaio cheios de líquidos coloridos e fumegantes. A realidade é bem menos interessante ao olhar de um leigo e muito mais fantástica ao se olhar mais profundamente.
Todo nerd um dia sonhou em ser cientista. Alguns chegam a realizar este sonho. E, por mais que a realidade seja diferente daquilo que todos imaginam, ainda que seja subvalorizado, é um orgulho poder dizer “eu trabalho com ciência. Eu sou um cientista”.







Sabe que você destruiu a boa imagem que eu tinha da química né? Achava tão mais legal quando pensava só nos “tubos de ensaio cheios de líquidos coloridos e fumegantes”, sem nem pensar na verdadeira utilidade da química, além da sua relação com todas as coisas existentes… E eu acho que as pessoas ‘comuns’ sabem também dessa relação, mas isso só vem à consciência delas em raras vezes quando necessário (pra muita gente química é só uma matéria no currículo do ensino médio e da qual se ter alguma noção só serve pra passar no vestibular – e em nenhum curso que tenha a ver com a ciência, provavelmente)! Mas uma pergunta: por que não é comum encontrar essas pessoas “comuns” em algo relacionado com a ciência (pelo menos não tãããão comum quanto encontrar nerds em cursos como química ou física)?
Susi disse isso em Julho 25, 2008 às 4:54 am |
Nhá. pra mim vc sempre será um nerd esquisito. Não me venha com desculpinhas! hahaha
Ah, parabéns pelo blog, está tudo tão lindo *-*
Aninha disse isso em Julho 26, 2008 às 7:15 pm |